"Sente aqui, do meu lado. A grama esta geladinha. Exala cheiro de terra molhada, né?" Ela vira e sorri para ele.
"Eu sempre sonhei em voar, quero dizer, sem ser de avião, sabe? Voar mesmo, com asas de anjo. Longas e macias. De penas leves e brancas." Ela balbuciava sem parar coisas sem sentido. Sabia que o cão ao seu lado escutava. Colocava em palavras seus devaneios, seus sonhos. Seu único motivo para continuar a viver. E ele escutava. Quieto. Não conseguia fazer mais do que latir. Maldita seja a hora em que decidiu trocar sua forma humana pela simples presença e proximidade daquela que ele mais amava. Agora, estava ao seu lado, sabia tudo sobre ela, podia protegê-la melhor e beijá-la (à seu modo) quando desejava. Mas nunca poderia ser aquele com quem ela construiria uma casa, um futuro.
E não demorou muito tempo, para ela começar a confidenciar-lhe suas pequenas paixões de adolescente. Logo, começou a namorar. E ele nada podia fazer além de consolá-la quando as lágrimas lhe apareciam no rosto, por culpa daquele que tomara seu lugar.
Mas no fundo, ele queria ser quem ela chama de "Meu amor."



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